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A mostrar mensagens de outubro, 2017

begging

Tenho cortado rosas e com elas os dedos, pela dor de sentir algo. No entanto, o sangue corre-me pelas mãos, pintando sobre as linhas que em que antes existíamos. Ao mesmo tempo, sinto um peso sobre o peito. Um peso tão vivo e sufocante, ora quente ou frio, mas sempre pesando sobre os meus pulmões. Tudo o que me é meu implora-me por ti. Todas as minhas lágrimas se reprimem por nós. Mas o peso faz-se sentir quando penso no que já fomos. E no que poderíamos ser. Não me interpretes mal; amo-te. Mas não confio em ti a minha vida como já o fiz outrora. Se no inicio colhia granjas, hoje pensar em ti faz-me colher rosas. E por isso pico-me nos dedos, tal bela adormecida, mas em vez de cair num sono profundo e inesperado, sufoco-me na ansiedade por ansiar saber o que se passa e saber quem sou. No entanto, continuo a desesperar pelo sabor a café num dia de tempestade e choro por não ter o sol e a lua sobre mim em simultâneo.

garden

Sento-me num canto que seja só meu e canto para mim frases soltas de poemas que me cantam aos ouvidos. Há frases que se prendem nos meus ouvidos e palavras que se soltam dos meus lábios. Há coisas que deixei de fazer e sonhos que deixei de sonhar. Mas há sempre palavras prontas a serem escritas e pensamentos que não me fogem. Mas eu fugi. Continuo sentado num canto só meu e ainda canto poemas que outrem escreveram. No entanto, não me tento encontrar no que alguém escreveu, nem na ideia de que a minha vida está escrita nas estrelas, nos signos ou enraivecida por Moros. Noutra dimensão, o labrador da minha irmã entende as minhas lágrimas e responde-me com palavras sábias; os pássaros cantam e não piam e os peixes respiram de cabeça sobre a superfície cristalina do meu lago. Os meus dedos cheiram a café e os meus olhos não procuram algo. Mas nesta sim. E as palavras fogem-me, não preparadas para atinar com uma realidade que me chega a ser normal mas que eu sinto surreal.