garden

Sento-me num canto que seja só meu e canto para mim frases soltas de poemas que me cantam aos ouvidos. Há frases que se prendem nos meus ouvidos e palavras que se soltam dos meus lábios. Há coisas que deixei de fazer e sonhos que deixei de sonhar. Mas há sempre palavras prontas a serem escritas e pensamentos que não me fogem.
Mas eu fugi.
Continuo sentado num canto só meu e ainda canto poemas que outrem escreveram. No entanto, não me tento encontrar no que alguém escreveu, nem na ideia de que a minha vida está escrita nas estrelas, nos signos ou enraivecida por Moros.

Noutra dimensão, o labrador da minha irmã entende as minhas lágrimas e responde-me com palavras sábias; os pássaros cantam e não piam e os peixes respiram de cabeça sobre a superfície cristalina do meu lago. Os meus dedos cheiram a café e os meus olhos não procuram algo.
Mas nesta sim. E as palavras fogem-me, não preparadas para atinar com uma realidade que me chega a ser normal mas que eu sinto surreal.

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