1.
Sonhos.
Tenho imensos sempre que deito a mente na almofada. Tenho-os acordado ou a dormir, sonhados ou por sonhar. Mas temo que não sejam o suficiente para a alma que antes o sonhava tão apaixonadamente.
Outrora, sonhava pelo amor; pelo beijo pela manhã, a discussão pela tarde, as palavras pela noite e o reconforto durante o dia. Se o sonhei, encontrei-o. E vivo-o. E há quem diga que isso é suficiente para se viver.
Já sonhei amizade. Não aquela pela qual eu tinha de suar, mas por aquela em que existia um amor mútuo, em proporções mútuas e em condições de alegria. Se o sonhei, encontrei-o. E vivo-o. E quando olho para os amigos que juntei, suspiro de alívio. São estranhos; gays e heteros, de todos os feitios, tamanhos e géneros. E há quem diga que isso é suficiente para se viver.
No entanto, enquanto alguns sonhei, outros esmoreci. Perdi-os no vácuo da preguiça, da intangibilidade ou do esquecimento. E se me tento lembrar deles, mais deles me esqueço. Sinto que são ouro que se derreteu na minha mente e que me fizeram crescer, para sempre deixando um buraco no peito, na alta, pelo qual chorarei até descobrir qual será o próximo sonho que sonharei e viverei.
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